Archive for the 'TI' Category

Linux em casa, um balanço realista

27/08/2006

Uso Linux quase exclusivamente em casa há dois anos. Aliás, em duas casas – na minha “casa de verdade” em Uberlândia, e também em BH, onde fico a trabalho. Fui um dos usuários pioneiros do Ubuntu, desde um pré-release do Warty, lá pelos idos de setembro de 2004. Já usei o Ubuntu em ambiente profissional, para jogos e para uso pessoal simples. No ambiente de trabalho, uso o Windows XP em uma rede baseada no 2003 Server, então acho que tenho um bom parâmetro de comparação.

De forma geral estou satisfeito. Os motivos que me levaram a adotar o Linux foram simples: maior segurança (especialmente para poder navegar tranquilo na Web); motivos éticos, pois não acho legal, como profissional de TI, usar uma cópia pirata do sistema operacional; e também porque tenho interesse em desenvolvimento de aplicações Web, e a plataforma Linux oferece ferramentas interessantes. De lá para cá não tive nenhum problema de ataque ou de vazamento de informação, então estou satisfeito com a segurança, que para mim é o critério principal.
Agora os problemas. A coisa mais irritante para um usuário são as pequenas limitações que encontramos no dia a dia. E nesse ponto, o Linux ainda dá nos nervos. Notam-se pequenas coisas, itens onde claramente falta polimento. Em alguns casos falta funcionalidade, em outros, falta aquele capricho na interface. Em vários casos falta integração entre os aplicativos. Por exemplo, querer comparar o VNC (ou o VINO) com o Terminal Server do XP é brincadeira, tanto pela qualidade como pela integração de funcionalidade. É possível compartilhar janelas individuais no Windows XP, usando para isso o MSN. A parte de multimídia também deixa muito a desejar, de forma geral, especialmente na parte de vídeo. A funcionalidade existe, mas a interface precisa melhorar muito.

De tudo, há uma coisa que eu acho que poderia ser feita para mudar o cenário a longo prazo. Sinto falta de um ambiente de desenvolvimento simples, similar ao que o QuickBasic/VisualBasic e o HyperCard representaram há alguns anos atrás. Estas ferramentas de desenvolvimento permitiam que qualquer usuário escrevesse pequenos programas para seu computador. Muitas empresas comerciais de software começaram assim, com experimentos domésticos amadores, e depois evoluiram para produtos profissionais. O curioso é que a Microsoft abandonou esta prática depois de dominar o mercado – mais ou menos do mesmo jeito que abandonou o IE depois de derrotar a Netscape, para depois ser pega de surpresa pelo Firefox. Há uma oportunidade de ouro aqui, para fazer o mesmo: criar uma plataforma de desenvolvimento que permitirá que muitas dessas lacunas de software para Linux sejam preenchidas de forma simples, criando um novo “ecosistema” de desenvolvimento de software. É um ciclo virtuoso esperando para acontecer.

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Google, Brasil Telecom, ou… tomando decisões com base em fatos

23/08/2006

Não, não basta usar o Google para buscar coisas na Web. As empresas que entenderem como Google funciona terão uma arma competitiva fortíssima à sua disposição. Dizem que o Google é uma empresa de engenharia de sistemas que se dispôs a resolver o problema, o que ela faz muito bem. Como uma empresa de engenharia, o Google inova e rompe paradigmas. O Google vem inovando dia a dia, e mostrando que há caminhos alternativos às práticas convencionais de mercado. Afinal, quem iria suspeitar há 6 ou 7 anos atrás que uma empresa que era capaz de montar um rack com placas de PC comuns, memória comprada a preço de liquidação e HDs que ninguém compraria para o filho poderia dar certo?

O Google também tem fama de ser uma empresa discreta com relação às suas realizações, que faz muito e fala pouco, o que alimenta a aura de mistério. O mais interessante é que no fundo, a grande inovação do Google não é tão espetacular assim, e pode até parecer antiquada. Trata-se de olhar os números, de fazer contas. É daí que vem o “bottom line”. E o Google sempre fez contas, motivo pelo qual muitas vezes pareceu ter ido na contramão de uma tendência, para depois sair por cima. E isso… não é tão complicado assim. O problema é que a maioria das pessoas se esquece de questionar e compra pronto aquilo que o mercado lhe apresenta – mesmo que não lhe sirva.
No Brasil, há um exemplo deste tipo de postura: a Brasil Telecom, que foi a única “grande operadora” que no meio do oba-oba do início do século XXI que decidiu ir na contramão, deixando propositadamente de cumprir as metas de universalização da Anatel (apesar de dizer o contrário no seu site!). Enquanto todas operadoras investiam milhões, primeiro para cumprir as metas, e depois em marketing para vender seus serviços de longa distância (o famoso “disque 12, 15, 21, 31″… e por aí vai), a BT ficou de fora… e se deu bem. Deixou de gastar uma fortuna – economizou. E hoje, todo mundo sabe que esse negócio de telefonia de longa distância é ilusão, ao ponto de várias empresas terem deixado de anunciar, e até mesmo de explorar o serviço. Foram visionários? Talvez. Em retrospecto, tudo é fácil. Mas será que não apenas uma questão de avaliar os números?